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Fim da Escala 6×1: uma decisão que coloca em risco empresas, empregos e o futuro do comércio

Por: FCDL MINAS GERAIS 16 de outubro de 2026
Fim da Escala 6×1: uma decisão que coloca em risco empresas, empregos e o futuro do comércio

*Por Frank Sinatra Chaves – Presidente da FCDL-MG e da CDL Contagem

Recebo com profunda indignação a aprovação do fim da escala 6×1. Como presidente da FCDL-MG, sinto a obrigação de dar voz aos milhares de empreendedores que hoje estão assustados, inseguros e revoltados com uma decisão que ignora completamente a realidade de quem gera empregos e sustenta a economia brasileira.

O discurso é bonito. Fala-se em qualidade de vida, mais descanso e mais tempo para a família. Quem poderia ser contra isso? O problema é que ninguém teve a coragem de apresentar a conta dessa decisão para a sociedade. E ela é gigantesca.
Segundo estudo da Confederação Nacional do Comércio (CNC), a mudança poderá elevar em 21% a folha salarial do comércio, gerando um impacto superior a R$ 122,4 bilhões por ano apenas para o setor. No segmento de serviços, o impacto estimado ultrapassa R$ 235 bilhões anuais.

Estamos falando de uma mudança que afeta diretamente cerca de 31,5 milhões de trabalhadores brasileiros, sendo que 93% dos empregados do comércio varejista e 92% dos trabalhadores do atacado cumprem atualmente jornadas superiores a 40 horas semanais.

Quem conhece minimamente a realidade empresarial sabe o que isso significa. Para manter as portas abertas, milhares de empresas terão que contratar mais funcionários para cobrir horas que deixarão de ser trabalhadas. E isso ocorre em um momento em que o empresário já convive com juros elevados, aumento dos custos de energia, alta dos aluguéis, crescimento das despesas financeiras, pressão tributária, excesso de obrigações acessórias, insegurança jurídica e dificuldade de acesso ao crédito. A verdade é que muitas empresas simplesmente não terão condições de suportar mais esse aumento de custos.

Quando uma pequena loja do interior, uma farmácia de bairro, uma padaria, um supermercado familiar ou uma empresa de serviços perde margem, não existe departamento financeiro para socorrê-la. Ela fecha as portas.
Os próprios estudos apontam que o choque econômico poderá resultar na eliminação de 631 mil empregos formais no curto e médio prazo. Além disso, as estimativas indicam que o impacto poderá provocar um aumento de até 13% nos preços ao consumidor.

Ou seja, a conta não ficará apenas para o empresário. Ela chegará à mesa da população. Ficará mais caro comprar alimentos, medicamentos, roupas, contratar serviços e consumir. Em outras palavras, o trabalhador que supostamente foi beneficiado pela medida poderá sentir os efeitos no próprio bolso.

E há uma pergunta que ninguém responde: como exigir mais custos de quem já está operando no limite?
Os empresários enfrentam uma das maiores cargas tributárias do planeta. Pagam impostos federais, estaduais e municipais. Enfrentam fiscalizações constantes, obrigações acessórias complexas, dificuldades para contratar, dificuldade para obter crédito e um ambiente de negócios que, historicamente, pune quem deseja empreender. Agora, além de tudo isso, terão de absorver uma das maiores mudanças trabalhistas das últimas décadas sem qualquer garantia de aumento de produtividade.

Houve alertas de que a redução da jornada exigirá ganhos de eficiência que, estruturalmente, o Brasil simplesmente não tem conseguido alcançar. A produtividade cresce em ritmo extremamente baixo, tornando praticamente impossível absorver uma elevação dessa magnitude sem impactos sobre preços, empregos ou investimentos. Não estamos falando de teoria. Estamos falando da sobrevivência de empresas reais, de empregos reais e de famílias reais. Defender o trabalhador é uma obrigação. Mas destruir as condições para que existam empresas capazes de contratar também é destruir oportunidades.

Por isso, manifesto meu mais absoluto repúdio à aprovação do fim da escala 6×1 da forma como ocorreu. O Brasil precisava de medidas para desburocratizar, reduzir impostos, incentivar a produtividade e estimular investimentos. Em vez disso, criou-se uma nova pressão sobre um setor que já está sufocado.

Hoje, o sentimento que ecoa entre os empresários mineiros é de indignação. Não porque sejam contra o trabalhador, mas porque conhecem a realidade das ruas, das lojas, dos caixas, dos balanços e das contas a pagar. E sabem que, quando a matemática deixa de fechar, quem paga a conta é toda a sociedade.

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